“Coragem, pois, e sê homem”, disse o rei Davi ao jovem Salomão, seu filho, que logo o sucederia no trono de Israel. Se parássemos por aqui, já nos veríamos fortemente exortados em meio a uma geração que C. S. Lewis descreveu como “homens sem peito”, fracos moralmente. Contudo, ainda mais significativas e contundentes foram as palavras que o “moribundo” rei de Israel continuou dirigindo ao seu inexperiente sucessor.

Em toda a Escritura, Davi mostra ao filho o que significa ser homem: guardar os preceitos do Senhor, andar nos seus caminhos, observar estatutos e mandamentos, juízos e testemunhos, conforme a Lei de Moisés, para que fosse bem-sucedido (1 Rs 2.1-3).

Não carecemos de muitas palavras para comprovar a tese proposta no título, diante da escassez de homens dessa estirpe — não apenas na sociedade em geral, mas também dentro de nossas igrejas chamadas evangélicas. Essa carência constitui-se em uma “grande omissão”, além de uma tragédia de imensas proporções, que deveria nos levar a clamar como Davi no Salmo 12.1: “Socorro, Senhor, porque já não há homens piedosos.”

Estamos, mais uma vez, às vésperas da reunião mais importante da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) — o Supremo Concílio, com quase dois mil homens presentes, entre delegados e líderes das organizações da denominação. É oportuno sermos diretos: que tipo de homens temos tido nos arraiais presbiterianos, especialmente na liderança das igrejas locais e concílios? Afinal, como em nossos presbitérios e sínodos, a reunião ordinária do Supremo se inicia com a escolha de homens que assumirão a liderança principal da igreja por quatro anos, além de outros designados para diferentes autarquias e organizações da denominação.

A grande omissão ocorre quando nos escondemos em meio à multidão — no concílio, desde o Conselho Local até o Supremo — e concordamos com determinados assuntos apenas para não contrariar nossos pares, mesmo sabendo que a posição não é ética nem biblicamente correta. Quando isso acontece, não estamos distantes da fidelidade cega e conveniente exigida no mundo político secular.

A omissão também se dá quando vislumbramos vantagens pessoais e escolhemos deliberadamente o lado que nos trará benefício, mesmo conscientes de que uma injustiça será cometida ou de que a decisão não é o melhor para a igreja e para o Reino. Muitas vezes, tememos assumir a posição divergente por receio de arcar com o ônus.

O pecado da omissão é ainda maior quando, em posição de liderança, temos o poder de tomar decisões justas para o bem do povo de Deus, mas preferimos nos autopreservar em vez de usar a função para servir ao Senhor e à igreja — que é dEle, e não nossa ou de qualquer homem poderoso.

A omissão se torna imensa quando nos acovardamos diante do poder de alguém ou de um grupo, e nos calamos, deixando de assumir posição pela verdade, honestidade e justiça, temendo mais os homens do que ao justo Juiz, diante de quem todos estaremos no dia final.

Mais do que nunca, seja em nossa igreja ou como povo de Deus neste mundo marcado pela omissão pecaminosa, precisamos de “homens de coragem”, como Davi desafiou seu filho a ser. Homens como o profeta Natan, que confrontou o rei Davi em seus pecados ocultos; homens firmes como os sacerdotes que resistiram ao rei Uzias em sua irreverência; homens como Pedro e João, que enfrentaram autoridades judaicas e declararam que importava obedecer a Deus antes que aos homens. Homens dispostos a perder, a serem prejudicados e até a morrer, para que as causas do Reino de Deus, da verdade, da justiça e do Bem Maior sejam preservadas e defendidas.

Coragem! Sejamos, acima de tudo, homens de Deus.

Rev. Djaik Souza Neves

Presidente do Sínodo Centro América em Mato Grosso

Presidente do Presbitério de Várzea Grande

Pastor da Igreja Presbiteriana Jardim Guanabara – Cuiabá-MT