CORRUPÇÃO: CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E SOLUÇÃO.

Por: Manoel Gonçalves Delgado Jr.

No Brasil, sofremos com a chaga aberta da corrupção. No ralo da corrupção, recursos e esperanças são subtraídos, projetos e sonhos são eliminados. Diante desta triste realidade, muitas pessoas procuram encontrar as causas, medir as consequências e procurar soluções para este mal. A Palavra de Deus pode nos ajudar na reflexão sobre o sentido mais profundo e espiritual da corrupção e a sua solução.

A corrupção não é derivada exclusivamente da sociedade, como preconizava Rousseau, embora a sociedade possa ser uma rede corruptora. O mundo, na teologia joanina, compreendido como sistema de valores caído, apresenta uma sociedade corrupta em suas relações.

A corrupção não é decorrente exclusiva do exercício da liderança, embora líderes corruptos possam influenciar uma sociedade ao desvio ético. Na antiga teocracia de Israel, os reis de Judá e Israel quando maus, conduziam o povo para o declínio moral e espiritual; juízes injustos e sacerdotes corruptos também.

A corrupção não é ocasionada apenas pela falta de conhecimento e cultura, a verdade é que a falta de conhecimento de Deus é a causa do declínio espiritual e moral de uma nação. É fato, também, que nem mesmo em sociedades religiosas, ou com elevado grau de instrução, a corrupção e os problemas humanos foram erradicados. Também é preciso reconhecer que nem sempre aqueles que conhecem as verdades espirituais e os valores de uma tradição religiosa, ou sociedade se constituem em verdadeiros crentes, ou em bons cidadãos.

A corrupção não decorre exclusivamente da falta de liberdade civil, econômica ou de expressão, ou de outra forma do excesso de controle estatal. Sociedades totalmente libertárias se revelariam anômicas e libertinas. Sociedades totalitárias seriam, por outro lado, opressoras, tirânicas e altamente propícias à corrupção.

A corrupção não é exclusivamente ocasionada por sistemas econômicos injustos, ou derivada de circunstâncias materiais, porém a falta de oportunidades de um lado, e a riqueza excessiva de outro, podem, de acordo com as Escrituras, favorecer o roubo, ou conduzir a uma vida distante dos padrões e ideais divinos.

Para Cristo, a corrupção não é externa ao homem, mas procede do seu interior. Soluções externas, embora necessárias e divinamente ordenadas, são paliativas. É do interior do homem, disse Jesus, que procedem todos os maus desígnios. O coração humano é a fonte da corrupção.

A corrupção pode ser combatida externamente por ações preventivas? Sim, por um sistema legal equitativo que considere a condição humana, promovendo a transparência, a lei e a ordem. Ela pode ser combatida também através da promoção de valores, por meio da educação na escola e da formação na família, e ainda através de ações do Estado, que inibam o erro e promovam a virtude.

Porém, todas estas soluções são externas ao homem, meramente paliativas e, a menos que surja um novo homem que é transformado no seu interior, nada essencialmente mudará, pois, a corrupção é uma realidade ontológica, intrínseca do coração humano.

Somente o Evangelho pode mudar o homem. Apenas o Espírito Santo pode transformar o coração humano, regenerando e convencendo do pecado da justiça e do juízo. Somente Deus pode efetivamente transformar uma nação, erradicando a corrupção, redimindo corações corruptos.

Se fôssemos comparar a corrupção com a poluição de um rio, poderíamos dizer que o leito apresenta as impurezas de uma nascente contaminada.

Neste cenário, alguém poderia questionar se ainda seria válida a limpeza do leito, em face da contaminação da nascente. Ao que eu responderia: “sim”, porém sempre considerando que este esforço de limpeza do leito jamais deveria acarretar no descuido com a nascente. Não podemos vencer a corrupção da sociedade sem a mudança do indivíduo, não se coíbe a corrupção do homem sem uma real mudança interior, sem o poder, a presença e o favor divino.

Neste ponto em particular, a Igreja possui o maior legado possível, pois ela proclama o Evangelho de Cristo que é o poder de Deus para a conversão do homem; ela, portanto, anuncia o Reino de Deus para genuína transformação do homem e da sociedade.

Algumas perguntas para reflexão: [1] Você tem orado e jejuado pelo Brasil? [2] Você está realmente comprometido com a evangelização da sociedade brasileira e convencido de que o Evangelho é o poder de Deus? [3] Você está entre aqueles que procuram, à luz do ordenamento divino, limpar o leito deste rio, ou você tem sido levado pelas correntezas da corrupção?

Visualizar o artigo em PDF