Palavra do Capelão
CAPELANIA – UM MINISTÉRIO DE PRESENÇA, CUIDADO E MISSÃO.
A capelania é o exercício do ministério espiritual em ambientes seculares e confessionais, oferecendo assistência espiritual e emocional onde a vida acontece de forma intensa e muitas vezes desafiadora: hospitais, escolas, orfanatos, asilos, presídios, instalações militares, instituições religiosas e outras organizações. É comum que as pessoas que estão nesses locais precisem de uma palavra de alegria, esperança para prosseguir na jornada. A função principal do capelão é prestar apoio, conforto e esperança àqueles que sofrem ou buscam orientação no contexto institucional. Por meio de conversas pessoais, palestras inspiradoras e atenção dedicada, ele ajuda as pessoas a encontrarem forças para seguir adiante.
Diferente do pastoreio tradicional, que muitas vezes espera que as pessoas venham até a igreja, o capelão vai ao encontro delas. Ele se interessa ativamente em saber quem precisa de apoio e o oferece com disponibilidade. Nesse sentido, o IBAA oferece, através da capelania o apoio que transcende os muros da igreja local, atendendo aos desafios acadêmicos, emocionais e espirituais que surgem no processo de formação ministerial. Ela proporciona a presença viva de Cristo, nos momentos de crise que passamos no processo de formação. Esta é a essência da capelania.
Como surgiu a capelania
Tudo começou com um simples ato de compaixão no século IV. O soldado romano Martinho de Tours, ainda iniciante na vida cristã, encontrou um mendigo quase congelando em Amiens. Cortou sua própria capa ao meio e deu metade ao necessitado. Naquela mesma noite, segundo a história, Jesus lhe apareceu vestido com aquele pedaço de tecido e disse: “Martinho (que ainda não era batizado), você me vestiu”. A metade da capa que restou tornou-se relíquia sagrada, a qual era guardada com zelo e veneração. O pequeno oratório onde ela era guardada passou a ser chamado de capella, que significa “pequena capa”. Os sacerdotes que cuidavam dela e conduziam os cultos ali receberam o nome de cappellani — capelães.
Daquela capa, rasgada pelo amor, nasceu um ministério que atravessou séculos. No tempo de Carlos Magno, os capelães já serviam nos palácios reais. Nas guerras, acompanhavam os exércitos levando a presença de Deus em meio às batalhas. Com o tempo, a capelania se expandiu para hospitais, presídios, universidades, empresas e, hoje, também às escolas confessionais. Chegou até nós não como mera tradição humana, mas como expressão concreta do mandamento de Jesus: “Ide por todo o mundo” (Mc 16.15) e “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21.15-17).
Aqui no IBAA, a capelania assume um papel estratégico. Enquanto formamos obreiros para o ministério cristão em suas comunidades, o capelão caminha ao lado de cada estudante, professor e funcionário. Estamos presentes para apoiar no que for possível, atuando como pastores auxiliares do Supremo Pastor, ajudando todos a prosseguirem na caminhada de fé. Assim como Martinho de Tours, nosso desejo é oferecer um ‘pedaço de nossa capa’, um gesto de amor prático e espiritual, para que cada um consiga cumprir sua missão. Pois é dessa forma que Cristo é mais conhecido e experimentado: quando a vida em comunhão com Ele se manifesta no amor uns pelos outros e pelo Bom Pastor.
Minha oração e meu compromisso diário é honrar a Deus, servindo a vocês com zelo, amor e fidelidade. Zelo, porque a alma de cada aluno, é preciosa demais para ser negligenciada. Amor, porque o ofício de capelão envolve empatia cristã: chorar com quem chora e alegrar-se com quem se alegra. Fidelidade, porque tudo que fazemos — aconselhamento, oração, escuta ativa, ministração da Palavra e visitas —, deve apontar para Jesus, o Único Senhor da vida.
Se você é aluno, professor ou colaborador deste Instituto, saiba: a porta do capelão está sempre aberta. Aqui você será acolhido, ouvido e atendido no que diz respeito ao cuidado espiritual. Ser capelão é mais do que um ofício — é um chamado. É o evangelho vivido no cotidiano da formação ministerial.
Que o Supremo Pastor continue nos capacitando para cuidarmos uns dos outros, “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus” (Ef 4.13).
Com gratidão e alegria no serviço,
Rev. Cleudiaude Martins Lopes
Capelão do Instituto Bíblico Rev. Augusto Araújo – IBAA/IPB
Cuiabá, 10/03/2026.