A NECESSIDADE DE INFLUENCIADORES DIGITAIS CRISTÃOS PARA ÀS NOVAS GERAÇÕES.

Por: Manoel G. Delgado Jr.

Minha filha é uma típica pré-adolescente evangélica. Nascida em lar cristão, participa de projetos na igreja, faz aula de artes, inglês e música, estuda em uma boa escola, e como quase todos de sua geração, é uma nativa digital.

Não é fácil ser pai neste mundo em que vivemos. Por mais que nos esforcemos, os nossos filhos ficam a maior parte do tempo distantes. E mesmo quando os temos por perto, a conectividade não ajuda em nossa aproximação. Os nossos aparelhos telefônicos, tablets e Smart TVs, os modernos e onipresentes dispositivos digitais e as plataformas de streaming, cada vez mais roubam a nossa atenção, entorpecendo as nossas almas, tornando monossilábicas as nossas escassas conversas familiares.

É difícil constatar, mas estamos lentamente nos afastando e o resultado é que esta vulnerabilidade absurda tem permitido que “outros”, nem sempre bem intencionados, alcancem o coração dos nossos filhos. Um verdeiro sequestro emocional.

Não sei bem quando aconteceu, mas deixei de ser o grande referencial de “herói” para a minha filha. Como foi que não percebi? Um belo dia ela não queria mais brincar como antes, parou de me abraçar com a surpresa e alegria costumeira, e passou encontrar-se muito ocupada, distante, emocionalmente mais afastada.

Agora ela tinha um “novo herói”, um digital influencer de cabelos coloridos, vocabulário limitado e nenhum valor cristão. Não demorou para que sua fala começasse a mudar e, de repente, gírias até então desconhecidas passaram a figurar no seu vocabulário de pré-adolescente.

Ao notar, com a minha esposa, que o entusiasmo da nossa filha por Deus e pela igreja havia sofrido algum impacto, resolvemos logo contra-atacar! Empreendemos todos os esforços para mudar esta situação: estabelecemos limites de tempo para o uso da internet, colocamos filtros no streaming, controlamos os acessos aos canais de vídeo, e restringimos drasticamente a participação em redes sociais. Estabelecemos leituras bíblicas diárias e, nas férias, a enviamos para um conceituado acampamento evangelístico. Mas confesso que lutar contra este monstro não é fácil, é como enfrentar uma Hidra de sete cabeças. Ao cortarmos uma, outras logo atacam em seu lugar. Este relato é apenas a ponta do iceberg. Minha filha é apenas mais uma jovem de sua geração…

Chamo esta geração de “geração Maísa”, pois a maior parte deste grupo nasceu a partir do ano de 2002 em diante. Na sociologia, esta geração tem sido chamada de geração Z, na missiologia são identificados como pertencentes à janela 4/14, um dos grupos mais negligenciados no processo de evangelização.

Quando fui pesquisar alternativas para a evangelização da minha filha, ou quando procurei recomendar influenciadores digitais com conteúdo cristão para a sua faixa etária, qual não foi a minha surpresa ao constatar que existia muito pouco, ou quase nada disponível para ela.

Este fato me causou surpresa, e até mesmo indignação, pois sobram alternativas de conteúdo, quando o público é jovem ou adulto. Mas lamentavelmente a geração mais conectada que já nasceu está entregue à sua própria sorte. São invisíveis para os líderes cristãos, são esquecidas na hora de disponibilização de conteúdo digital.

Duas constatações precisam ser feitas. Primeiro, estão sobrando canais de teologia, interpretação bíblica, análise de músicas… Já possuímos mais conteúdo neste segmento do que a nossa capacidade individual de consumo. No entanto, todo mundo acredita que precisa disponibilizar mais conteúdo para este segmento. Enquanto isso, crianças e adolescentes são alvos fáceis do sequestro emocional promovido por influenciadores digitais, que não tem nenhum compromisso com os valores e cosmovisão cristã. Estes estão cada vez mais atentos ao segmento mais negligenciado da igreja. Se não mudarmos este cenário rapidamente, corremos o sério risco de sacrificarmos os nossos filhos no altar da irrelevância digital. Creio que haverá um custo muito alto se negligenciarmos esta geração.

Eu me pergunto: onde estão as agências missionárias que tem o foco nas novas gerações? Será que estariam perdendo o compasso dos tempos? Onde estão os pastores e líderes para as novas gerações? Será que não temos entre nós obreiros capazes de produzir e veicular conteúdo para a internet? Como, com tantos obreiros e artistas cristãos qualificados, temos nos ausentado deste importante palco da missão?

E vocês, influenciadores digitais cristãos, será que este não seria o momento certo para encerrar aquele redundante canal de vídeos, para finalmente abrir um outro, relevante e útil, que poderá abençoar toda uma geração?

Lembrem-se que Jesus condenou os seus discípulos no passado justamente por tentarem impedir os pequeninos de se achegarem a ele (Mt.19.13-15). Ele os advertiu dizendo que jamais os mesmos poderiam ser impedidos de se aproximarem do mestre e de sua santa e abençoadora presença.

O apelo é simples e direto: precisamos de influenciadores digitais para as novas gerações.

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