A NECESSIDADE DE INFLUENCIADORES DIGITAIS CRISTÃOS PARA ÀS NOVAS GERAÇÕES.

Por Manoel G. Delgado Jr.

Minha filha, é uma típica pré-adolescente evangélica. Nascida em lar cristão, participa de projetos na igreja, faz aula de artes, inglês e música, estuda em uma boa escola, e como quase todos de sua geração é uma nativa digital.

Não é fácil ser pai neste mundo em que vivemos. Por mais que nos esforcemos, os nossos filhos ficam a maior parte do tempo distantes. E mesmo quando os temos por perto, a conectividade não ajuda em nossa aproximação. Os nossos aparelhos telefônicos, tablets e Smart TVs, os modernos e onipresentes dispositivos digitais e as plataformas de streaming, cada vez mais, roubam a nossa atenção, entorpecendo as nossas almas, tornando monossilábicas as nossas escassas conversas familiares.

É difícil constatar, mas estamos lentamente nos afastando e o resultado é que esta vulnerabilidade absurda tem permitido que “outros”, nem sempre bem intencionados, alcancem o coração nossos filhos. Um verdeiro sequestro emocional.

Não sei bem quando aconteceu, mas deixei de ser o referencial, e “herói” da minha filha. Como foi que não percebi? Um belo dia ela não queria mais brincar como antes, parou de me abraçar com a surpresa e alegria costumeira, e passou encontrar-se muito ocupada, distante, emocionalmente mais afastada.

Agora ela tinha um “novo herói”, um digital influencer de cabelos coloridos, vocabulário limitado e nenhum valor cristão. Não demorou para que sua fala começasse a mudar, e de repente, gírias até então desconhecidas, passaram a fazer parte do seu vocabulário de pré-adolescente.

Num belo dia, ela me perguntou se poderia fazer pinturas coloridas no seu cabelo, em outro disse que estava envolvida em desafios diários nos seus canais online. Depois foi a vez da confecção de Slime e outras coisas esquisitas. A última dela, foi a sua repentina disposição em tornar-se vegetariana, vegana ou seja lá o que for…, Meu Deus! De onde ela tirou estas ideias? Somente hoje, fiquei sabendo que o seu youtuber favorito, havia declarado esta mesma disposição.

Ao notar com a minha esposa, que o seu entusiasmo por Deus e pela igreja havia sofrido algum impacto. Resolvemos logo contra-atacar! Empreendemos, todos os esforços para mudar esta situação: estabelecemos limites de tempo para o uso da internet, colocamos filtros no streaming, controlamos os acessos aos canais de vídeo, e restringimos drasticamente a participação em redes sociais, estabelecemos leituras bíblicas diárias, e nas férias a enviamos para um conceituado acampamento evangelístico. Mas confesso que lutar contra este monstro não é facil, é como enfrentar uma Hidra de sete cabeças. Ao cortarmos uma, outras logo atacam em seu lugar. Este relato é apenas a ponta do Iceberg. Minha filha, é apenas mais uma de sua geração…

Chamo esta geração de geração Maísa, pois a maior parte deste grupo nasceu do ano de 2002 em diante. Na sociologia esta geração tem sido chamada de geração Z, na missiologia são identificados como pertencentes a janela 4/14, um dos grupos mais neglicenciados no processo de evangelização.

Quando fui pesquisar alternativas para a evangelização da minha filha, ou quando procurei recomendar influenciadores digitais com conteúdo cristão, para a sua faixa etária. Qual não foi a minha surpresa ao constatar que existia muito pouco, ou quase nada disponível para ela.

Este fato me causou surpresa, e até mesmo indignação, pois sobram alternativas de conteúdo, quando o público é jovem, ou adulto. Mas lamentavelmente a geração mais conectada que já nasceu está entregue a sua própria sorte. São invisíveis, para os líderes cristãos, são esquecidas na hora de disponibilização de conteúdo digital.

Duas constatações precisam ser feitas. Primeiro, estão sobrando canais de teologia, interpretação bíblica, análise de músicas… Já possuímos mais conteúdo neste segmento, do que a nossa capacidade individual de consumo. No entanto, todo mundo acredita que precisa disponibilizar mais conteúdo para este segmento. Enquanto isto, crianças e adolescentes são alvo fácil do sequestro emocional promovido por influenciadores digitais que não tem nenhum compromisso com os valores, e cosmovisão cristã. Estes estão cada vez mais atentos, ao segmento mais negligenciado da Igreja. Se não mudarmos este cenário rapidamente, corremos o sério risco de sacrificarmos os nossos filhos no altar da irrelevância digital. Creio que haverá um custo muito alto se neglicenciarmos esta geração.

Eu me pergunto, onde estão as agências missionárias que tem o foco nas novas gerações? Será que estariam perdendo o compasso dos tempos? Onde estão os pastores e líderes para as novas gerações? Será que não temos entre nós obreiros capazes de produzir e veicular conteúdo para a internet? Como, com tantos obreiros e artistas cristãos qualificados, temos nos ausentado deste importante palco da missão?

E vocês influenciadores digitais cristãos. Será que este não seria o momento certo para encerrarem aquele redundante canal de vídeos, para finalmente abrir um outro, relevante e útil, que poderá abençoar toda uma geração?

Lembrem-se que Jesus condenou os seus discípulos no passado, justamente por tentarem impedir os pequeninos de se achegarem a ele. (Mt.19.13-15) Ele os advertiu dizendo que jamais, os mesmos, poderiam ser impedidos de se aproximarem do mestre e de sua santa e abençoadora presença.

O apelo é simples e direto: Precisamos de influenciadores digitais para às novas gerações.

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