Reflexão – Liderança Inspiradora

Hoje recebi um vídeo do pastor e missionário João Petreceli, um amigo e colega de ministério que exerceu grande influência na minha vocação ministerial. O vídeo veio da Sibéria. Sim, da Sibéria. E isso, por si só, já diz muito sobre a dimensão do trabalho que ele tem realizado ao longo dos anos.

João é, de certa forma, um fenômeno global. E isso sem recorrer a estratégias de marketing religioso ou modelos de expansão midiática. O que existe em sua trajetória é algo mais raro: uma liderança que inspira e mobiliza pessoas em diferentes contextos culturais.

Ele é, para mim, um verdadeiro case de liderança inspiradora.

João soube, inclusive, tomar uma decisão difícil que poucos líderes conseguem: sair no auge. Em Cuiabá, ele encerrou um ciclo quando sua influência estava consolidada. Desde então, passou a repetir um padrão em diversos campos: chega, estabelece fundamentos, forma pessoas, fortalece estruturas e segue adiante para novos desafios.

Isso exige coragem, desapego e uma visão missionária que vai além de projetos pessoais.

Ele tem defeitos? Claro que tem. Como todos nós. Mas o que ele faz é impressionante. A hipérbole, aliás, é um recurso comum entre pregadores e mobilizadores. No entanto, no caso de João, não se trata apenas de retórica. Sua capacidade de mobilização é real e verificável.

João Petreceli, de certo modo, lembra um Farel contemporâneo. Assim como Guillaume Farel no contexto da Reforma, ele tem instigado muitos líderes a saírem de suas zonas de conforto para trilhar os desafios do ministério e os caminhos da missão.

Sua ênfase no discipulado bíblico é uma marca clara em todos os lugares por onde passou. Para João, discipulado e missão são inseparáveis. A missão consiste precisamente em fazer discípulos entre todos os povos da terra, ecoando diretamente o mandato de Cristo.

Além disso, ele investiu intensamente na própria formação. Hoje é fluente em português, inglês, espanhol, grego e ainda está aprendendo italiano. Sua trajetória torna-se ainda mais significativa quando lembramos de suas origens simples. Formado no IBRO, em Ji-Paraná, participou da JMC enfrentando muitas dificuldades e posteriormente concluiu seu mestrado em Grego e Teologia do Novo Testamento no Andrew Jumper.

Seu ministério hoje se estende por diversos contextos. Atua na Europa, já serviu na Ásia (Nepal), na Oceania (Nova Zelândia) e na América do Sul (Chile e Brasil). Mantém conexões com líderes nos Estados Unidos e na África do Sul. Estabeleceu parcerias missionárias importantes, como com o Rev. Maurício Bucair, do Instituto Ethnos, e atua em projetos na África. Atualmente serve como missionário na Itália, com o apoio, entre outras igrejas, da Igreja Presbiteriana de Pinheiros.

Ele também participa do movimento global de plantação de igrejas Planters, com Rev. Ronaldo Lidório, e já foi diretor de instituições teológicas em quatro países diferentes. Em Cuiabá, foi diretor do IBAA – Instituto Bíblico Rev. Augusto Araújo e pastor da Igreja Presbiteriana Betânia, onde deixou uma influência significativa para a região e um modelo eficaz de mobilização missionária e plantação de igrejas.

Entre vários atos inspiradores, João mobilizou duas campanhas missionárias que se tornaram extremamente marcantes. Em uma delas, pedalou para arrecadar recursos destinados a uma instituição que acolhe meninas no Nepal, no projeto Ride for Freedom. Em outra iniciativa, literalmente subiu o Monte Everest com o objetivo de levantar fundos para projetos missionários. Em ambos os casos, as pessoas faziam contribuições por trechos percorridos. A iniciativa tornou-se viral e profundamente inspiradora.

João tem também uma capacidade singular de argumentar e mobilizar pessoas. Sempre brinquei que ele seria capaz de vender gelo para esquimó. E agora a ironia é providencial: ele está na Sibéria, literalmente tirando gelo da porta da igreja para que um culto possa acontecer. Louvado seja o Senhor.

Precisamos reconhecer: João é diferente.

Eu não tenho a pretensão de superar meus mestres. Pelo contrário. Sou feliz em poder ser um coadjuvante entre pessoas que Deus levantou para realizar grandes coisas.

A liderança verdadeira não consiste em centralizar tudo em si mesmo. Liderança é servir o maior número de pessoas possível e promover aqueles que estão ao nosso redor. Quando um líder faz isso, naturalmente as pessoas querem estar próximas, querem aprender e querem caminhar juntas.

Jesus ensinou esse princípio de forma clara em Marcos 10.42–45, quando afirmou que, entre os seus discípulos, a lógica do poder deveria ser invertida: “quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva”.[i]

Uma liderança verdadeiramente inspiradora promove o crescimento dos liderados, maximiza o potencial das pessoas por meio do serviço e mobiliza outros pelo exemplo pessoal.

O líder egocêntrico, por outro lado, não promove ninguém. Vive para ser o centro das atenções e se entristece quando ele mesmo não é o assunto da pauta.

E você: tem se alegrado com o progresso do evangelho pela instrumentalidade de outros?
Como você reage quando não é o centro da pauta? Qual é, afinal, o valor de uma liderança verdadeiramente inspiradora?

Rev. Manoel Gonçalves Delgado Junior
Doutor em Ministério
Diretor do IBAA – Instituto Bíblico Rev. Augusto Araújo
Cuiabá – MT