A teologia que não é vivida em meio a amizades reais dificilmente será digna de ser chamada teologia. O apóstolo Paulo é um modelo para os teólogos e, portanto, devemos observar como ele saudou pessoalmente tantas pessoas em suas cartas.
Os estudos teológicos de Paulo não foram abstraídos dos relacionamentos, mas eram feitos no contexto de amizade e comunhão profundas. Paulo mostra que o enriquecimento da teologia é vivido na vida da igreja e do povo de Deus como um todo. Em Colossenses 3:16, lemos: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.”
O alvo da teologia na vida da igreja de Cristo é a unidade da fé no corpo de Cristo. A teologia trinitariana tem de imitar a própria Trindade. Nossa teologia é teologia da imagem. Ela se baseia no fato de sermos criados à imagem de Deus. Deus é sua própria comunidade: Pai, Filho e Espírito Santo são a expressão máxima da verdade e da comunhão.
Somos chamados por Deus para mostrar suas próprias qualidades. Temos a grande responsabilidade, por sermos a imagem de Deus, de refleti-lo nos mais puros e sinceros relacionamentos em nossa vida, dentro e fora da igreja.
Em João 17:11, 21, 23, 24, vemos que a implicação da oração de Jesus é que a santificação, a comunhão, a preservação dos crentes e a unidade com Deus, e entre nós mesmos, são atitudes práticas de uma boa teologia da imagem:
“a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”
Estudar teologia à parte de uma profunda unidade com a igreja de Cristo é contrário à vontade de Deus e aos próprios relacionamentos dentro da Trindade. Objetivamente, Paulo não distingue treinamento teológico de ensino na igreja. Em 2 Timóteo 2:2, lemos: “E o que da minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isto mesmo transmite a homens fiéis e idôneos para que, por sua vez, sejam também capazes de instruir a outros.”
Perseverar na sã doutrina é um dos grandes desafios aos mestres da igreja na condução de suas igrejas nos dias de hoje. Hebreus 10:23: “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.”
A vida teológica não consiste meramente em intercâmbios de ideias por meio da leitura e da escrita, mas na comunhão face a face. Em 2 João 12: “Ainda tenho muitas coisas que vos escrever; não quis fazê-lo com papel e tinta, pois espero ir ter convosco, e conversarmos de viva voz, para que a nossa alegria seja completa.”
Comunhão com Deus e com irmãos piedosos é o objetivo da boa teologia que precisa ser vivida no contexto da igreja. John Frame disse: “Deus revela seus melhores segredos aos que mais o amam.” Por isso, nossa busca pelo conhecimento tem como propósito nos tornar como Jesus.
O verdadeiro discípulo de Cristo segue seus passos. Que a vida no âmbito da igreja seja vivida em comunhão, crescimento, perseverança e união cristã. Avancemos no conhecimento que nos dirija em amor e unidade.
Pr. Nelson Gonçalves de Abreu Júnior.